Freguesia de S. Miguel da Guarda
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A Estação dos Caminhos-de-Ferro

Desde 1860 que a Guarda reclamava uma via-férrea.

A Junta Geral do Distrito pedia ao rei a construção de uma linha que atravessasse pelo interior o país e que o ligasse à Europa. Também a imprensa local tinha o mesmo anseio e escrevia que a Guarda e o seu distrito esperavam pelo caminho – de – ferro e que este seria a solução para a reanimação do comércio (PEREIRA, 1995:68).

A freguesia de S. Miguel da Guarda surge como consequência desse desenvolvimento e a sua história confunde-se com a história do desenvolvimento do caminho-de-ferro.

A construção da Linha da Beira Alta teve início em Outubro de 1878 e foi concluída em Junho de 1882.

O início da construção da mesma apresentava algumas contrariedades devido a dificuldades geográficas: nunca se poderia ultrapassar a percentagem de 15 ‰ nos declives da via, e as curvas não poderiam ter menos de 300 metros de raio. Foram apresentados três projectos, tendo sido designado o engenheiro Bento de Moura para os estudar e escolher o melhor traçado.

O traçado final resultou de uma síntese, feita pelo engenheiro Sousa Brandão.

Os capitais necessários provieram da Société Financière de Paris e a gestão da nova linha passou a ser tutelada pela Companhia de Caminhos-de-Ferro Portugueses da Beira Alta (PEREIRA, 1995:68).

A viagem inaugural partiu da Figueira da Foz a 3 de Agosto de 1882, pelas 13h 30m e o comboio era composto por onze carruagens. Nele seguiam D. Luís, D. Maria Pia e os infantes D. Carlos e D. Afonso. Este comboio era antecedido por uma máquina isolada para prevenir qualquer descarrilamento. O comboio chegou à Guarda às 9h e 47m da manhã do dia 4, fez uma breve paragem e seguiu para Vilar Formoso. No retorno a comitiva chegou à Guarda a meio da tarde e visitou a cidade (PEREIRA, 1995:69).

A 11 de Maio de 1893 as ligações ferroviárias na Guarda ficavam concluídas com a inauguração da linha da Beira Baixa, unindo Abrantes à Guarda, numa extensão de 210 km (PEREIRA, 1995:70).

A construção das duas vias-férreas, as Linhas da Beira Alta e Baixa, tornou a Guarda um eixo ferroviário fundamental para quem quisesse entrar e sair do país.

Este meio de transporte transformou as estações de caminhos – de – ferro em verdadeiros pontos nevrálgicos das localidades. A estação é a indispensável porta de entrada de dois espaços incompatíveis e irredutíveis, a estrada e o caminho-de-ferro.

Na Guarda, a estação de caminhos-de-ferro era do tipo vulgar, constituída por três corpos e ladeada por dois armazéns, um para a Linha da Beira Alta e outro para a Linha da Baixa. Como a estação ficava fora da cidade, havia junto da estação diligências e trens de aluguer, puxados por cavalgaduras, destinados a levar os viajantes à cidade e a outras povoações. As diligências, que ligavam a estação da Guarda à cidade, pertenciam a um empresário conhecido por Amaral dos Carros. Para percorrer os 5 km da cidade à estação, nos últimos tempos da Monarquia, custava 150 reis. E os guias dos caminhos – de – ferro portugueses indicavam aos viajantes, na Guarda, o Hotel Central Santos para pernoitar (Jornal Nova Guarda, 11 – 06-2008).

Na década de 90, esta linha sofreu modificações, como algumas rectificações de traçado, reforço das pontes, nova sinalização e electrificação, tendo início a exploração com tracção eléctrica, entre Mangualde e a Guarda, no dia 28 de Abril de 1997.

A nova Estação da Guarda, inaugurada na data em que a REFER cumpria o seu quinto aniversário, 29 de Abril de 2002, veio colmatar um anseio sentido à muito pela população local, servida até então por uma estação sem capacidade de resposta para o número de passageiros que dela se serviam.

O edifício tem uma área de cerca de 1400 m2 e congrega numa única construção os serviços comerciais e também todas as valências ferroviárias da cidade. Os dois volumes em granito, estão ligados por uma cobertura metálica, destacando-se num dos lados a Torre do Relógio.

O átrio da Estação, espaço misto de bem-estar e de circulação é totalmente revestido por vidro.

Paralelamente à intervenção no edifício de passageiros foram intervencionadas as plataformas e coberturas, remodeladas as passagens inferiores, construída uma interface com transportes colectivos e táxis, um parque de estacionamento e reorganizada a área envolvente à Estação.

Nos tempos de outrora, o caminho – de – ferro contribuiu para o progresso e para uma verdadeira revolução social nesta região.

A vantagem sobre as diligências, malas postas e carrões, foi extraordinária, quer em economia de tempo, quer nos custos, quer no conforto. Para o comércio local também. Os benefícios resultaram incalculáveis, aumentando a circulação dos produtos necessários, com redução do seu custo graças à diminuição dos encargos de transporte. Culturalmente permitiram intercâmbio e rápida aproximação aos centros onde havia instituições educativas (Jornal Nova Guarda, 11-06-2008).

 

Texto produzido pela Freguesia de S. Miguel da Guarda tendo como Fontes:

- Informações da REFER;

- Jornal Nova Guarda, 11-06-2008 e

- António Saraiva, “A Guarda em Postal Ilustrado de 1901 a 1970 pág. 192 e 193, Novembro 2008, Agência para a Promoção da Guarda PolisGuarda, SA.


 

 

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